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venerdì 28 marzo 2014


Nel settembre del 2010 mi ero posto una domanda: il Brasile é un paese maschilista? Leggendo una ricerca pubblicata ieri dall'IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) sembra proprio di sí. In questo rapporto, intitolato "Tolerância social à violência contra as mulheres", vengono trattati argomenti come la violenza sulle donne e l'omosessualità. La lettura di tale rapporto (lo potete trovare QUI) riflette quella che é oggi la società brasiliana, e devo ammettere che lascia un po' a pensare, anche perché vi sono molti dati contraddittori. Per esempio il 91% degli intervistati, uomini e donne, ritiene che chi picchia una donna debba andare in prigione, ma allo stesso tempo quasi il 58% ritiene che se la donna saprebbe comportarsi meglio ci sarebbero meno stupri, il 63% ritiene che i casi di violenza in casa devono essere discussi SOLO entro la famiglia, l'89% concorda sul fatto che i panni sporchi si lavano in famiglia e l'82% afferma che tra moglie e marito é meglio non mettere il dito!

Circa il 60% pensa che l'uomo debba essere il capofamiglia, ma é doveroso far notare che con le persone con più scolarità questa percentuale scende. Quasi il 79% ha una visione della donna molto stereotipata, pensando che il maggior sogno di una donna é di sposarsi e di avere figli. Per fortuna leggiamo anche che il 54% degli intervistati discorda sul fatto che una moglie deve soddisfare sessualmente il marito anche se non ne ha voglia, contro il 14% di chi concorda (anche se tra gli evangelici questa percentuale sale di 1,7%).

Mah, sinceramente non so cosa pensare. Certo che se dovessi andare a un ballo funk farei anch'io parte di quel 58% discusso prima. Ma leggendo il testo completo, e vi consiglio di farlo, sono solo 40 pagine, la conclusione a mio parere é abbastanza triste. Capisco che il Brasile non possa essere la Svezia o la Norvegia, però la visone che ne scaturisce mi sembra piuttosto arcaica e maschilista. 








AGGIORNAMENTO DEL 05/04/2014

L'Ipea ha commesso un errore. Secondo l'Istituto di Ricerca, nel grafico numero 24 c'é stato un "piccolo" problema e la percentuale di persone che concordano sul fatto che le donne che mostrano il corpo meritano essere attaccate non é del 65% ma del 26%. Per caritá, errare é umano, nessuno é perfetto, ma é certo che un errore di questo tipo fatto da un'istituzione federale non é cosa da poco. In ogni caso la percentuale rimane sempre altra, perché vuol dire che 1/4 della popolazione concorda con questo atteggiamento. Peró non posso fare a meno di pensare che mi sembra strano commettere un errore come questo, specialmente dopo le ripercussioni avute sui vari media e social network. E anche per l'imminente Coppa del Mondo: come si fa a dire al resto del mondo che il 65% dei brasiliani concordano che é giusto attaccare (ma attaccare come? Stuprare, palpare, provarci? Non si capisce bene) una donna solo per il fatto che usi dei vestiti succinti. Ma forse sono io che con la mia mente bacata vedo malizia da tutte le parti.


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mercoledì 26 marzo 2014


Questo é un post scritto nel settembre del 2009 da Daniel Duclos, un brasiliano che da alcuni anni vive in Olanda. Parla sulla disuguaglianza sociale in Brasile e in Olanda, e l'ho trovato molto interessante.

Da relação direta entre ter de limpar seu banheiro você mesmo e poder abrir sem medo um Mac Book no ônibus


UPDATE: Muita gente tem lido este post como uma idealização da Holanda como um lugar paradisíaco. Nada mais longe da verdade. A Holanda não é nenhum paraíso e tem diversos problemas, muitos dos quais eu sinto na pele diariamente. O que pretendo fazer aqui é dizer duas coisas: a origem da violência no Brasil é a desigualdade social e 2, apesar da violência que gera, muita gente gosta dessa desigualdade e fica infeliz quando ela diminui, porque dela se beneficia e não enxerga a ligação desigualdade-violência. Por fim: esse post não é sobre a Holanda. A Holanda estar aqui é casual. Esse post é sobre o Brasil, minha pátria mãe.
A sociedade holandesa tem dois pilares muito claros: liberdade de expressão e igualdade. Claro, quando a teoria entra em prática, vários problemas acontecem, e há censura, e há desigualdade, em alguma medida, mas esses ideais servem como norte na bússola social holandesa.
Um porteiro aqui na Holanda não se acha inferior a um gerente. Um instalador de cortinas tem tanto valor quanto um professor doutor. Todos trabalham, levam suas vidas, e uma profissão é tão digna quanto outra. Fora do expediente, nada impede de sentarem-se todos no mesmo bar e tomarem suas Heinekens juntos. Ninguém olha pra baixo e ninguém olha por cima. A profissão não define o valor da pessoa – trabalho honesto e duro é trabalho honesto e duro, seja cavando fossas na rua, seja digitando numa planilha em um escritório com ar condicionado. Um precisa do outro e todos dependem de todos. Claro que profissões mais especializadas pagam mais. A questão não é essa. A questão é “você ganhar mais porque tem uma profissão especializada não te torna melhor que ninguém”.
Profissões especializadas pagam mais, mas não muito mais. Igualdade social significa menor distância social: todos se encontram no meio. Não há muito baixo, mas também não há muito alto. Um lixeiro não ganha muito menos do que um analista de sistemas. O salário mínimo é de 1300 euros/mês. Um bom salário de profissão especializada, é uns 3500, 4000 euros/mês. E ganhar mais do que alguém não torna o alguém teu subalterno: o porteiro não toma ordens de você só porque você é gerente de RH. Aliás, ordens são muito mal vistas. Chegar dando ordens abreviará seu comando. Todos ali estão em um time, do qual você faz parte tanto quanto os outros (mesmo que seu trabalho dentro do time seja de tomar decisões).
Esses conceitos são basicamente inversos aos conceitos da sociedade brasileira, fundada na profunda desigualdade. Entre brasileiros que aqui vêm para trabalhar e morar é comum – há exceções -  estranharem serem olhados no nível dos olhos por todos – chefe não te olha de cima, o garçom não te olha de baixo. Quando dão ordens ou ignoram socialmente quem tem profissão menos especializadas do que a sua, ficam confusos ao encontrar de volta hostilidade em vez de subserviência. Ficam ainda mais confusos quando o chefe não dá ordens – o que fazer, agora?
Os salários pagos para profissão especializada no Brasil conseguem tranquilamente contratar ao menos uma faxineira diarista, quando não uma empregada full time. Os salários pagos à mesma profissão aqui não são suficientes pra esse luxo, e é preciso limpar o banheiro sem ajuda – e mesmo que pague (bem mais do que pagaria no Brasil) a um ajudante, ele não ficará o dia todo a te seguir limpando cada poerinha sua, servindo cafézinho. Eles vêm, dão uma ajeitada e vão-se a cuidar de suas vidas fora do trabalho, tanto quanto você. De repente, a ficha do que realmente significa igualdade cai: todos se encontram no meio, e pra quem estava no Brasil na parte de cima, encontrar-se no meio quer dizer descer de um pedestal que julgavam direito inquestionável (seja porque “estudaram mais” ou “meu pai trabalhou duro e saiu do nada” ou qualquer outra justificativa pra desigualdade).
Porém, a igualdade social holandesa tem um outro efeito que é muito atraente pra quem vem da sociedade profundamente desigual do Brasil: a relativa segurança. É inquestionável que a sociedade holandesa é menos violenta do que a brasileira. Claro que aqui há violência – pessoas são assassinadas, há roubos. Estou fazendo uma comparação, e menos violenta não quer dizer “não violenta”.
O curioso é que aqueles brasileiros que queixam-se amargamente de limpar o próprio banheiro, elogiam incansavelmente a possibilidade de andar à noite sem medo pelas ruas, sem enxergar a relação entre as duas coisas. Violência social não é fruto de pobreza. Violência social é fruto de desigualdade social. A sociedade holandesa é relativamente pacífica não porque é rica, não porque é “primeiro mundo”, não porque os holandeses tenham alguma superioridade moral, cultural ou genética sobre os brasileiros, mas porque a sociedade deles tem pouca desigualdade. Há uma relação direta entre a classe média holandesa limpar seu próprio banheiro e poder abrir um Mac Book de 1400 euros no ônibus sem medo.
Eu, pessoalmente, acho excelente os dois efeitos. Primeiro porque acredito firmemente que a profissão de alguém não têm qualquer relação com o valor pessoal. O fato de ter “estudado mais”, ter doutorado, ou gerenciar uma equipe não te torna pessoalmente melhor que ninguém, sinto muito. Não enxergo a superioridade moral de um trabalho honesto sobre outro, não importa qual seja. Por trabalho honesto não quero dizer “dentro da lei” -  não considero honesto matar, roubar, espalhar veneno, explorar ingenuidade alheia, espalhar ódio e mentira, não me importa se seja legalizado ou não. O quanto você estudou pode te dar direito a um salário maior – mas não te torna superior a quem não tenha estudado (por opção, ou por falta dela). Quem seu pai é ou foi não quer dizer nada sobre quem você é. E nada, meu amigo, nada te dá o direito de ser cuzão. Um doutor que é arrogante e desonesto tem menos valor do que qualquer garçom que trata direito as pessoas e não trapaceia ninguém. Profissão não tem relação com valor pessoal.
Não gosto mais do que qualquer um de limpar banheiro. Ninguém gosta – nem as faxineiras no Brasil, obviamente. Também não gosto de ir ao médico fazer exames. Mas é parte da vida, e um preço que pago pela saúde. Limpar o banheiro é um preço a pagar pela saúde social. E um preço que acho bastante barato, na verdade.
PS. Ultimamente vem surgindo na sociedade holandesa um certo tipo particular de desigualdade, e esse crescimento de desigualdade tem sido acompanhado, previsivelmente, de um aumento respectivo e equivalente de violência social. A questão dos imigrantes islâmicos e seus descendentes é complexa, e ainda estou estudando sobre o assunto.

Fonte: Ducs Amsterdam
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lunedì 24 marzo 2014


Ultimamente non é che ci sia molto da raccontare su quello che avviene in Brasile. L'unica notizia degna di nota é che la beneamata Presidente Dilma sembra che non abbia letto bene il contratto per l'acquisto di una raffineria a Pasadena, nello Stato del Texas (USA). Ovviamente lei accusa la Petrobras per avergli comunicato informazioni non complete, ma rimane il fatto che durante l'asta un'altra impresa belga, la Astra Oil, nel 2005 aveva comprato questa raffineria per 42,5 milioni di dollari e, nel 2006, la Dilma comprò solo metà di questa installazione per la "modica" cifra di 317 milioni di dollari americani. Come se non bastasse, nel 2012, per una clausola contrattuale, la Petrobras fu obbligata a comprare l'altra metà, arrivando così a spendere 1,2 miliardi di dollari (contro i 42,2 milioni dell'Astra Oil)! Ma tanto siamo noi poveri contribuenti che paghiamo...

Quindi di cosa potremmo parlare? Di calcio, cosa se no? Secondo una recente ricerca di Datafolha, il 24% dei brasiliani intervistati pensa che la Coppa del Mondo sarà un disastro, il 30% pensa che non sarà nulla di speciale mentre il 46% pensa che sarà ottima. Da notare che i più ottimisti sono quelli con meno scolarità e di minor rendita (e questo forse vorrà dir qualcosa).

Fonte: Folha.com

Altra notizia é che la FIFA, grandissima Federazione a scopo di lucro, aveva pubblicato nella sua rivista settimanale Fifa Weekly una specie di guida per gli tifosi stranieri che partecipassero alla Coppa del Mondo. Ma avendo una grande sensibilità (ma soprattutto per non inimicarsi il Brasile che gli sta versando una valanga di milioni nelle loro tasche) ha deciso di eliminare tali preziosi consigli dalla rete. Per fortuna, anche se ormai non é più disponibile nel loro sito, cercando su internet si trova ugualmente. Questa é la versione, in portoghese, della guida FIFA auto-censurata:

As “10 DICAS” da FIFA para estrangeiros no Brasil

1 – “Sim” nem sempre quer dizer “sim”
Brasileiros são pessoas alegres e otimistas e nunca começarão uma frase com a palavra “não”. Existem, porém, graus de afirmação quando eles utilizam a palavra “sim”. De fato, para os brasileiros, “sim” significa “talvez”, então, se alguém falar para vc: “Sim, eu te ligo de volta”, não espere que o telefone vá tocar nos próximos cinco minutos.

2 – Horário flexível
Pontualidade não é uma ciência exata no Brasil. Quando marcar um encontro com alguém, ninguém espera que você estará no lugar combinado na hora exata. O padrão é geralmente contar com um atraso de 15 minutos.

3 – Contato corporal
Homens e mulheres brasileiros não estão familiarizados com o costume europeu de manter uma certa distância entre as pessoas. Eles falam com as mãos e não hesitarão em tocar nas pessoas com quem estão conversando. Em boates, isso pode facilmente se transformar num beijo, mas isso não deve ser mal interpretado. Um beijo no Brasil é uma forma descontraída de comunicação não-verbal e não um convite para ir mais além.

4 – Filas
Ficar pacientemente aguardando em uma fila não está no DNA do brasileiro. Subindo em uma escada rolante, por exemplo, o modelo britânico de formar uma fila em um dos lados não existe. Pelo contrário, os brasileiros preferem cultivar o caos e, de algum modo, encontrar uma maneira de chegar lá em cima (geralmente).

5 – Moderação
Se você for a uma churrascaria que oferece tudo o que você pode comer e imediatamente quiser partir para o menu de carnes, lembre-se de duas coisas: não coma nada por pelo menos 12 horas antes e coma a comida em pequenas quantidades, porque as melhores carnes geralmente são servidas apenas no final.

6 – Sobrevivência do mais forte
Nas ruas, os pedestres são totalmente ignorados e, mesmo nas faixas de pedestres, dificilmente algum motorista irá parar de forma voluntária. A única prioridade respeitada pelos motoristas é simplesmente definida pelo veículo de maior tamanho.

7 – Experimente um pouco de açaí
Os frutos da Amazônia fazem maravilhas. Eles são agentes emagrecedores naturais, previnem rugas e dizem que têm o mesmo efeito de uma bebida energética. Algumas colheradas em um desses, durante o intervalo, podem ajudar até o mais cansado dos jogadores de futebol a recuperar sua energia.

8 – Topless
A imagem de mulheres com pouca roupa e fantasias pelo corpo, talvez sejam comuns no carnaval, mas isso não é o que você verá no Brasil no dia a dia. De fato, apesar dos biquínis brasileiros serem menores que os europeus, as brasileiras nunca fazem topless na praia. Bronzear-se na praia fazendo topless é proibido e pode resultar em multa.

9 – Não fale Espanhol
Os turistas que tentarem se comunicar em espanhol no Brasil terão a sensação de estarem falando com surdos. A língua nacional do país e o português brasileiro, uma variante do português. E se você falar que Buenos Aires é a capital do Brasil, pode esperar para ser deportado.

10 – Tenha paciência
No Brasil, as coisas são geralmente feitas no último minuto e, se existe alguma coisa que todos os turistas devem se lembrar, é: não perca a paciência e mantenha os nervos calmos. No final, tudo dará certo e ficará pronto a tempo. Isso vale inclusive para os estádios de futebol. De fato, a filosofia de vida dos brasileiros pode ser resumida com a seguinte frase: “relaxa e aproveita” (“relax and enjoy”).

Ovviamente molti brasiliani si sono sentiti offesi per questi consigli, ma si sa, la verità fa sempre male.

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venerdì 14 marzo 2014


Approfitto per ringraziare Rossana de Leo che, come tesi per la sua laurea in Linguistica Italiana ha scelto come argomento "La lingua dei blog tra portoghese e italiano" e, come riferimento, ha preso proprio questo blog come esempio.

Questa scelta, per alcuni forse incomprensibile, non può che farmi piacere, considerando la vasta quantità di blog che parlano del Brasile. Rossana così descrive il mo blog:

Il  blog  nasce  in  Italia  con  l’intento  di raccontare  e  descrivere  le  idee,  i  sentimenti  e  le differenze  tra l’Italia  e  il  Brasile.  Nel  blog  sono pubblicate notizie relative alla vita quotidiana del Brasile e  dell’Italia, due  realtà  molto  differenti  seppure  con alcune  somiglianze,  spesso  messe  a  duro  confronto  e aspramente criticate dai visitatori del blog.   
Nonostante  le  critiche  mosse  agli  articoli  che pubblica,  l’ideatore  non  smette  di  scrivere con passione ciò che pensa, usando un linguaggio semplice e diretto in modo  che  sia  comprensibile  a  tutti  i  visitatori del blog. 

Quindi, oltre a complimentarmi con Rossana per aver conseguito il suo successo accademico, non posso fare altro che aggiungere un GRAZIE!
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Un testo di Lya Fett Luft, scrittrice brasiliana, che collabora anche per la rivista Veja.



Sempre fui da classe média. nem baixa nem alta:classe média alta. meu pai era advogado, depois professor universitário. O pai de meus filhos era professor universitário. eu fui isso por dez anos, e pela vida inteira tradutora e escritora. éramos normais, somos normais, a gente comprava nossa casinha, botava os filhos no melhor colégio que podia, economizava o ano todo para ter féria no verão. Minha primeira viagem ao exterior foi com mais de 40 anos a convite por causa de meus livros. 

Mesmo aposentados, meu companheiro e eu continuamos trabalhando para manter a vida digna, enquanto mente e corpo aguentarem e por sorte gostamos de nossas artes e ofícios. De repente, surge neste estranho pais me que vivemos a ficção que nem eu, ficcionista há tantas décadas, conseguiria inventar:uma classe média que ganha de 320 reais e um centavos (Atentem para o centavo) a 1.120 reais. Sinto muito: primeiro, é proibido, que eu saiba, por lei, pagar salário inferior ao mínimo, que no Brasil é de 724 reais, nem menos, nem mais. 

Segundo, quem ganha 300 reais (e 1 centavo) é praticamente miserável, precisa ser socorrido urgentemente por todos os programas, benefícios, bondades e bônus que o governo possa conceder. 

Um pedinte em nossas ruas facilmente ganha mais que isso. Conheço pessoas que procuram tirar mendigos das ruas e dar-lhes abrigo, remédio, comida e trabalho por salário mínimo, e levam na cara um "não" em alto e bom som, porque ali, esmolando, se ganha isso ou mais, sem horário, sem compromisso, sem patrão. 

Por que inventaram essa bizarra classe média? Para dizer ao povo (Iletrado, desconhecendo tudo o que ler nos jornais e ver programas sérios na televisão poderia lhe mostrar) e aos estrangeiros (que naturalmente não acreditam em nada disso) que somos um país de classe média, onde a miséria foi erradicada, a pobreza está contentinha - enfim, um país das maravilhas de milhões de Alices desmioladas. 

Voltemos ao que é garantido por lei, um salário mínimo de 724 reais. Para sermos coerentes, vamos reduzi-lo rapidamente para os 320 reais (e 1 centavo). Porque aí será permitido pagar isso sem infringir a lei. Ou a lei está superada, e nos permitem pagar esse novo mínimo tão mínimo que espanta até o mais remoto ignorante no meio do nada? Vou verificar, porque não sei. 

Sei que cada vez entendo menos das nossas coisas, e não é porque já me aflige o toque daquele médico alemão. É porque são esquisitas mesmo, insensatas, inverídicas, ficcionais, facilitadas pelo Carnaval que batuca nas esquinas, ela Copa que já é combatida nas ruas e ninguém ainda entendeu direito o que vai ser, o que pode ser, se vai aparecer com pesada maquiagem ou se será de verdade a alegria do povo. 

Eu quero toda a alegria para o povo, toda a comida, todos os remédios, todos os bancos escolares, todo o trabalho decente, tudo. Não desejo um pagamento mensal de 320 reais (e 1 centavo). 

Tudo isso me inquieta, porque raramente vejo alguma contestação a tamanha fantasia. Aceitamos, mudos e quedos, que ganhar 320 reais (e 1 centavo) nos bota na classe baixa ou pobre? Algo em torno de 320 - retire-se aquele centavo - ou 200 reais, ou nada, que é quase a mesma coisa? Não sei. Minha inteligência não alcança tal contabilidade, não consegue abranger tal visão de mundo nem acompanhar esses cálculos. Enfim, estou fora. 

Estou em minha casa lendo, escrevendo, coma família, amigos e meu companheiro (que como eu, mesmo depois dos 70, trabalha muito). 

Fazendo a cada 15 dias esta coluna, e olhando com espanto, assombro, bastante desalento e muita curiosidade o que se passa neste Brasil: o que mais vão nos dizer, o que mais vai acontecer, que leis inúteis e desnecessárias vão inventar, quantas comissões, quantos planos e projetos, enquanto olhamos cantando glórias ou contendo soluços.


Lya Luft
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sabato 8 marzo 2014


Parliamo ancora di calcio e Coppa del Mondo (d'altronde in questo paese di cosa dovremmo parlare?). Un'altra rivista francese ha pubblicato un articolo (questa volta vero, non come quello che qualche buontempone si é divertito a inventare di sana pianta) su quello che sta avvenendo in Brasile. Il titolo già dice tutto: Vive Le Bordel Brésilien!

In effetti più che casino come potremmo definire questa Coppa del Mondo verde-amarelo? "Meglio andare subito al punto, sappiamo cosa succederà: lunghe code ovunque, in aeroporti, autobus e stadi, con voli in ritardo e tifosi arrabbiati per aver persona una partita costata un occhio". Questo é quello che si può leggere all'inizio del'articolo. Ma le critiche, con giusta ragioni pesanti, vanno anche alla FIFA, definita la "Impresa della vergogna in Brasile" e considerando gli eventi passati e attuali penso che non si possa dare torto a questa definizione. Alla fine la Coppa del Mondo si farà e tutti saranno felici, aldilà dei problemi che tutti conoscono. Il Brasile diventerà esacampione, Dilma sarà ancora rieletta e tutto continuerà come prima. Ma questo, non so il perché, mi rende triste.

Revista francesa detona a Copa no Brasil


Desta vez é verdade. Um mês depois da polêmica gerada por um texto falso atribuído à revista France Football que criticava fortemente a organização da Copa do Mundo no Brasil, o site da revista esportiva francesa "So Foot" publicou uma extensa reportagem sobre a preparação do Brasil para o Mundial. O texto, carregado de sarcasmo e humor ácido, mostra a que veio já no título: "Viva a Bagunça Brasileira!" (Vive Le Bordel Brésilien!). Em francês, a palavra bordel serve tanto para designar casas de prostituição quanto uma grande bagunça.
A reportagem divide as cidades-sede em três grupos: as que realmente deveriam estar sediando a Copa e que valem a viagem, mas que nem por isso estão livres de problemas (Les villes où ça devrait le faire), as sedes em que inevitavelmente a Copa será uma bagunça ("Les villes dans lesquelles ce sera forcément le bordel"), e aquelas onde o melhor mesmo é deixar para ver os jogos pela televisão ("Les villes dans lesquelles on verra peut-être un match, mais à la télé de préférence").
No primeiro grupo, estão Fortaleza, Belo Horizonte, Brasília e Porto Alegre. Nessas cidades, a revista identifica problemas menores, como problemas de conexão com a internet e falhas nos telões no estádio do Beira-Rio, na capital gaúcha. Já sobre Brasília, a reportagem destaca o alto custo de construção do Estádio Nacional Mané Garrincha, em uma cidade que não possui clubes de expressão no cenário nacional.
Já no segundo grupo, o da bagunça inevitável, estão São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife e Natal. O Aeroporto do Galeão (RJ) é descrito como "indigno de uma capital turística": "Edifícios degradados, pistas saturadas nas altas estações e paralisação das atividades em cada chuva forte prometem grandes doses de diversão", ironiza a publicação.
Sobre São Paulo, a reportagem afirma ser a cidade "irmã da Cidade do México e prima do Cairo (capital do Egito)", centros urbanos conhecidos mundialmente pelo trânsito caótico. Já Salvador teria um trânsito difícil na hora do rush. "Considerando que o estádio [Arena Fonte Nova] fica em uma região central da cidade, vai haver sofrimento".
Finalmente, no grupo das cidades em que seria melhor ver os jogos pela TV, estão Cuiabá, Manaus e Curitiba. O aeroporto da capital mato-grossense é descrito como "um campo de barro". "[O aeroporto] é do tamanho de uma cozinha, mas há que um lindo papagaio pintado na parede. Nenhuma grande nação vai jogar em Cuiabá. E depois dizem que o sorteio é aleatório". Já Curitiba é tratada como a "grande emoção pré-Mundial", com a dúvida até o último minuto sobre se o estádio estará ou não pronto a tempo.
A reportagem critica não só a situação dos estádios, aeroportos e infraestrutura em todas as 12 cidades-sede brasileiras. Sobrou também para a Fifa, para o seu presidente, Joseph Blatter (descrito como alguém que, no Brasil, nunca havia colocado os pés fora do Copacabana Palace), e para o secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke. A revista afirma que o turista que vier à Copa vai encontrar: filas em todos os lugares, voos atrasados chegando às cidades dos jogos após o término das partidas e torcedores enfurecidos por perderem o espetáculo.
O texto continua: "Nenhuma cidade-sede tem capacidade de entregar a tempo o trio de obras 'estádio + aeroportos + obras de mobilidade urbana'. No caso dos aeroportos, os processos de licitação das obras só foram lançados após as eleições de 2010. Quanto à mobilidade urbana... não se moderniza um país em seis meses, especialmente um país como o Brasil. E por mobilidade urbana entende-se os meios mais básicos de transporte: vias de acesso a locais turísticos, estradas, corredores de ônibus, metrô e trens urbanos etc. Logo, serão os seus pés os que farão a maior parte do trabalho."
De acordo com a reportagem, parte da culpa para que se tenha chegado à marca dos 100 dias para o início da Copa na situação em que se chegou é também da entidade que comanda o futebol mundial. "A Fifa, do seu lado, é prisioneira de um Brasil com quem ela briga/late/chicoteia a cada semana, como se tivesse tratando com uma criança, com um sentimento vago de que é tarde demais".
Sobrou até para o "jeitinho brasileiro": "Joseph Blatter, então, agora se mostra chocado: 'Nenhum país teve tanto tempo para se preparar quanto o Brasil', e ele está certo. Errado ele estava em 2007 [quando o Brasil foi escolhido como sede da Copa], ao impor ao país um "padrão Fifa" que estava distante demais de sua realidade, e que culturalmente não sabe dizer não. Mas sabe dizer, porém, quando já tarde demais, "desculpe, mas teremos que fazer alguns arranjos".
A reportagem foi publicada no dia 3 de março. No dia seguinte, a revista publicou novo texto sobre o Brasil e a Copa, desta vez destacando as manifestações que varreram o país em junho do ano passado, durante a Copa das Confederações, apontando que o povo brasileiro está insatisfeito com o alto custo da preparação do país para a Copa, majoritariamente custeados pelos cofres públicos.
Fonte: UOL
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